Laboratório de hidrogeologia
  • Estudo de interação aquífero-rio mostra relações entre mudanças de uso da terra e descarga de águas subterrâneas

    Publicado em 22/04/2018 às 13:11

    Porção alta da Bacia Hidrográfica do Rio Canoas/SC onde florestas assentam-se sobre o SAIG/SG.

    Em dezembro de 2017, Geovano Pedro Hoffmann apresentou os resultados de sua dissertação de mestrado intitulada Efeitos da modificação do uso da terra sobre o comportamento do escoamento em área de descarga do Sistema Aquífero Integrado Guarani/Serra Geral.
    O estudo de caso foi desenvolvido na área que abrangeu a seção da porção superior da Bacia Hidrográfica do Rio Canoas/SC, tendo como exutório, a estação hidrometeorológica Vila Canoas/SC, na qual estão inseridos os municípios de Urubici, Rio Rufino e pequena parte do município de Bom Retiro.

    A pesquisa envolveu a estimativa da recarga e descarga de águas subterrâneas do SAIG/SG, por intermédio das velocidades médias do escoamento superficial definidas por meio de geoprocessamento de imagens aéreas e orbitais e, das vazões do Rio Canoas em períodos de recessão.

    Os resultados mostram que a etapa do escoamento subterrâneo, no contexto do ciclo hidrológico dos últimos 60 anos, foi menor no cenário de 1957-1976, por conta da cobertura da terra, que compartilhava pastos, florestas e áreas cultivadas, que incentivavam a conversão da precipitação em escoamento superficial e, cujas velocidades foram mais elevadas do que nos cenários posteriores, compreendendo os períodos entre 1976-1997 e 1997-2017.

    A confirmação de tal característica foi também realizada através da estimativa da descarga de águas subterrâneas, através do comportamento registrado para fluxo de base do Rio Canoas no mesmo período avaliado. A tendência geral do comportamento do escoamento, de 1957 a 2017 (período total avaliado), indica o aumento da recarga subterrânea anual e a redução das velocidades médias do escoamento superficial, principalmente pela expansão das áreas de florestas nas encostas onde havia atividades com agricultura e pecuária, o que permitiu o aumento da capacidade de infiltração e armazenamento no SAIG/SG. Assim, corroborando com esse dado, houve um aumento das vazões registradas durante os períodos de recessão (fluxo de base).

    A pesquisa, financiada pelo projeto Rede Guarani/Serra Geral, inova no âmbito de trazer uma metodologia que pode ser aplicada na estimativa de recarga e descarga de águas de unidades aquíferas, para bacias hidrográficas onde não há informações contínuas e históricas acerca das vazões.

    Texto: Geovano Hoffmann

    Revisão: Arthur Nanni


  • TCCs da geologia revelam características do SAIG/SG no oeste de SC

    Publicado em 25/12/2017 às 3:22

    Nos dias 29 e 30 de novembro foram apresentados dois trabalhos de conclusão do curso de Geologia. Os estudos são fruto das atividades do Laboratório de Hidrogeologia da UFSC em parceria com o  Laboratório de Análise Ambiental, Rede Guarani/Serra Geral e Comitê Jacutinga.

    Ericks Testa apresentando os resultados de seu estudo.

    O estudo Caracterização hidroquímica e estrutural do Sistema Aquífero Integrado Guarani/Serra Geral nos municípios de Águas Frias e Quilombo, SC, cujos resultados foram apresentados por Mariana Muniz Blank, demonstrou a ocorrência de ascensão de águas com maior tempo de residência, oriundas do Sistema Aquífero Guarani (SAG) e/ou aquíferos permianos que recarregam o Sistema Aquífero Serra Geral (SASG). O fenômeno é evidenciado através do enriquecimento em sulfato, cloreto, sódio, sólidos totais dissolvidos que, como consequência, refletem em uma alta condutividade elétrica registrada em águas do SASG. Estas águas, que diferem em termos hidroquímicos das águas típicas do SASG (bicarbonatadas cálcicas e bicarbonatadas cálcicas magnesianas), encontram-se associadas principalmente a lineamentos de direção NW, correspondentes aos lineamentos de maior comprimento na região. O estudo permitiu ainda a verificação da condição potenciométrica local do SAG, cujo alto grau de confinamento faz com que haja  a geração uma superfície potenciométrica que, por vezes, intercepta a superfície do terreno e permite a surgência espontânea de águas profundas, observadas em ambos municípios. Este cenário de mistura das águas ressalta o caráter integrado dos sistemas aquíferos, a necessidade de uma gestão integrada, que contemple a restrição às atividades de fraturamento hidráulico (fracking) na região.

    O outro estudo, intitulado Qualidade das águas subterrâneas de consumo humano nas comunidades rurais da Bacia Hidrográfica do Rio Jacutinga, Oeste de Santa Catarina, foi apresentado por Ericks Henrique Testa.  O estudo compreendeu a caracterização da qualidade das águas de consumo humano provenientes do Sistema Aquífero Serra Geral (SASG) na Bacia Hidrográfica do Rio Jacutinga e a elaboração de um Índice de Qualidade das Águas Subterrâneas (IQAS). A aplicação do índice mostrou que na maioria dos poços estudados, as águas ainda têm sua qualidade preservada. Porém, em 10% destes, os baixos valores do índice revelam uma mudança desse panorama favorável. Nesse contexto, fatores externos (como a presença de E. coli), aliados a elevada frequência de problemas construtivos, além das características naturais do SASG, como as altas concentrações de Fe e Mn, comprometem a qualidade dessas águas. Dessa forma, o IQAS, elaborado em parceria com o Comitê do Rio Jacutinga, mostrou-se uma importante ferramenta de gerenciamento do SASG, no que diz respeito à qualidade de suas águas para consumo humano. Por fim, o trabalho procurou discutir as potencialidades hídricas da bacia, principalmente onde o abastecimento por água subterrânea está comprometido, revelando que a gestão integrada das águas, considerando as diversas formas de captação (águas de chuvas, superficial, subsuperficial e subterrânea) é a melhor maneira de manter a qualidade e quantidade de água nessa região.

    Texto: Mariana Blank e Ericks Testa

    Revisão: Arthur Nanni