Laboratório de hidrogeologia
  • TCCs da geologia revelam características do SAIG/SG no oeste de SC

    Publicado em 25/12/2017 às 3:22

    Nos dias 29 e 30 de novembro foram apresentados dois trabalhos de conclusão do curso de Geologia. Os estudos são fruto das atividades do Laboratório de Hidrogeologia da UFSC em parceria com o  Laboratório de Análise Ambiental, Rede Guarani/Serra Geral e Comitê Jacutinga.

    Ericks Testa apresentando os resultados de seu estudo.

    O estudo Caracterização hidroquímica e estrutural do Sistema Aquífero Integrado Guarani/Serra Geral nos municípios de Águas Frias e Quilombo, SC, cujos resultados foram apresentados por Mariana Muniz Blank, demonstrou a ocorrência de ascensão de águas com maior tempo de residência, oriundas do Sistema Aquífero Guarani (SAG) e/ou aquíferos permianos que recarregam o Sistema Aquífero Serra Geral (SASG). O fenômeno é evidenciado através do enriquecimento em sulfato, cloreto, sódio, sólidos totais dissolvidos que, como consequência, refletem em uma alta condutividade elétrica registrada em águas do SASG. Estas águas, que diferem em termos hidroquímicos das águas típicas do SASG (bicarbonatadas cálcicas e bicarbonatadas cálcicas magnesianas), encontram-se associadas principalmente a lineamentos de direção NW, correspondentes aos lineamentos de maior comprimento na região. O estudo permitiu ainda a verificação da condição potenciométrica local do SAG, cujo alto grau de confinamento faz com que haja  a geração uma superfície potenciométrica que, por vezes, intercepta a superfície do terreno e permite a surgência espontânea de águas profundas, observadas em ambos municípios. Este cenário de mistura das águas ressalta o caráter integrado dos sistemas aquíferos, a necessidade de uma gestão integrada, que contemple a restrição às atividades de fraturamento hidráulico (fracking) na região.

    O outro estudo, intitulado Qualidade das águas subterrâneas de consumo humano nas comunidades rurais da Bacia Hidrográfica do Rio Jacutinga, Oeste de Santa Catarina, foi apresentado por Ericks Henrique Testa.  O estudo compreendeu a caracterização da qualidade das águas de consumo humano provenientes do Sistema Aquífero Serra Geral (SASG) na Bacia Hidrográfica do Rio Jacutinga e a elaboração de um Índice de Qualidade das Águas Subterrâneas (IQAS). A aplicação do índice mostrou que na maioria dos poços estudados, as águas ainda têm sua qualidade preservada. Porém, em 10% destes, os baixos valores do índice revelam uma mudança desse panorama favorável. Nesse contexto, fatores externos (como a presença de E. coli), aliados a elevada frequência de problemas construtivos, além das características naturais do SASG, como as altas concentrações de Fe e Mn, comprometem a qualidade dessas águas. Dessa forma, o IQAS, elaborado em parceria com o Comitê do Rio Jacutinga, mostrou-se uma importante ferramenta de gerenciamento do SASG, no que diz respeito à qualidade de suas águas para consumo humano. Por fim, o trabalho procurou discutir as potencialidades hídricas da bacia, principalmente onde o abastecimento por água subterrânea está comprometido, revelando que a gestão integrada das águas, considerando as diversas formas de captação (águas de chuvas, superficial, subsuperficial e subterrânea) é a melhor maneira de manter a qualidade e quantidade de água nessa região.

    Texto: Mariana Blank e Ericks Testa

    Revisão: Arthur Nanni